segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Vislumbre

Feito de pedra e caminho
Leito de rio ao mar
Transfigurado em sorriso
Foi que encontrou seu olhar
E nesse visgo de tempo
Dia com luz do luar
Conto de encanto e poesia
Lábios ousaram beijar

Coração cativo no peito

Sou água corrente, o seu rio...
Vem em meu leito deitar
Dorme em meus braços que eu deixo
Seus sonhos em mim navegar

Busco em canções e poesias
Em gotas de chuva e areia do mar
Palavras, encanto, magia
Ouso a ti comparar.

Coração pulsante no peito
Gisláide Sena

Olhar?!

Sou turbilhão encarnecido
E dentro liquefeito de desejos
Se me transbordo
Á inundação do teu olhar
Compasso o tempo
Evapora-me em sentimentos

Mas solidifico seu olhar
Que em mim retina
E a ebulição me des-compõe efervescente
Olhar bailante
Me retina onde vago
Achaste abrigo se ocultando em minha pálpebra
Gisláide Sena

MISTÉRIO

Por que povoa o meu mundo de mistério?
Sou simplesinha com a vida bem regrada
Deito com Sol e me levanto com a Lua
Meu dia é cedo
Minha noite é fantasia
Tarde mistérios que apavoram o meu ser.

Sou mesmo assim feita de som
Cada cantinho do meu eu é uma nota
Mas me destoa quando vem com seus mistérios
Minha harmonia se transforma em desatino
E a prudência se esvai em correnteza

Dá-me o mapa que me leva ao seu tesouro
Mas sem mistérios para que eu possa te encontrar
Sou simplesinha e a vida é uma cigana
Me põe na roda e não me ensina a dançar
Gisláide Sena

Conto de Fadas Moderno

Sou a dama fugitiva com sapato de cristal
Toda noite fico Bela com um sono secular/
(toda semana fico Bela com umas horas de SPA)
Ponho meu capuz vermelho pra fugir do Lobo Mal
E você que nem é príncipe ainda quer me conquistar?
Se ao menos fosse a Fera ou soubesse coaxar
Era só eu te dar um beijo e o conto se fazia
Mas vejo que é difícil acreditar em fantasia.

Já tomei banho de loja que a fada madrinha deu
Passo horas no salão consultando o espelho meu
Não sei se aliso o cabelo ou se deixo Cachinhos Dourados
Se fico com Lobo Mau ou saio com o Príncipe Encantado!?
Ta difícil de encontrar príncipe que tenha o seu castelo
Os Sapo que eu tenho beijado são tudo pé de chinelo.

Mas sei que com “Era uma vez...” é a forma de começar
Já que não tem um príncipe fazendo baile pra se casar
Então eu vou dando meu jeitinho de donzela inteligente
Vivo correndo perigo, cuido da beleza com a fórmula mais recente
Quero ver se não aparece um príncipe pra me dar um “Felizes para sempre”.
Gisláide Sena

DEDICATÓRIA

Ao dono desse mundo estranho
Que habita esse peito fértil
Em palavras me componho
Para divagar meus sentimentos.

Príncipe diáfano no breu da sacada
Anjo esvoaçante com asas de metal
Dá-me a dimensão do teu sorriso
Para que mesmo triste eu possa contemplar.
Abandona esse coração moribundo
E veste seu corpo de sol
Pois aqui sou feita de lua
E meus olhos são estrelas cadentes.

Dono de minhas ausências
Das minhas horas insanas e das noites vagas
É para ti que se esvai o meu sono
E evapora meus pensamentos.
Deixa-me tocar teu olhar com a ponta dos sonhos
Para guardá-lo inteiro em minha alegria.
Mesmo que tua face core
E que teus lábios fiquem coloridos,
Mesmo que seu olhar pulsante paralise meus sentidos
Estarei entrando em tua fortaleza
E farei nascer seu sol.
Gisláide Sena

Rios

Minha poesia se destoa quando encontra seus sentidos
Sou apenas um plano a salvo do que quer os seus desejos
Mais um ano se desfez em meu pretérito
E outro se compõe em minha frente
De incertezas faço rumo em minha vida
Pois em você eu só encontro solidão

Sou fugitiva arredia das promessas
Compreendi que somos rios separados pelo chão
Meu leito e frio e sua água é correnteza
Chegar ao mar é o destino, mas o caminho é ilusão
Leve tuas águas pra irrigar teus pensamentos
Guarde contigo nosso leito percorrido
Lembranças vagas que sem esvaem com o tempo
Em outros leitos encontrará mais que abrigo

Sou rio pequeno e minhas águas são paradas
Meu leito é lento e almeja se acalmar
O meu desejo é tornar-me uma represa
E o seu desejo é um dia virar mar
Não quero ser um leito seco em seu caminho
Nem a pedreira que te impede de passar
Já fiz meu tanto quando te encontrei sozinho
És rio corrente que anseia navegar

Somos dois rios encontrados por destino
E separados ao unir nossas correntes
Segue seu leito, novos rios vão surgindo
Pois compreendi que:
Águas de rio não retornam a nascem
Gisláide Sena

Espera...

Que venha com seu olhar borboleta
Com um sorriso de chuva
E com um perfume de por do sol
Pois beberei fantasia antes que o dia termine

Beberei fantasia de sua presença.
E brindarei com o vento em um cálice de chuva.
Dançaremos nas nuvens as cantigas do sonho,
Cantaremos cor-de-rosa em fio de arco-íris
Faremos poesia com um pedaço de tarde azul.

Com você meu coração fica verde
Meu sorriso colorido
E meus olhos transparentes.
As palavras ficam prenhes
Seu cheiro ganha tato
O meu gosto vira som

Então chegue amanhecendo, me fazendo alvorar
Use sua veste tinta que encanta colibri
Quero chuvar em teus braços como caem cachoeiras
Só te deixarei entardecer quando a noite serenar.
Gisláide Sena