Farei de meu peito um templo de aço
Cujo metal seja lâmina pungente
Que suporte qualquer solidão
Que transporte a dor de te perder
Farei de minha cútis o metal sádico
Que não seja capaz de sentir a leveza do toque amoroso
Incandescente e fria
Mórbida e insensível
Tal qual a lápide funérea
Impregnada de lembranças póstumas
Farei dos meus olhos luz opaca
Que cala a noite sombria
Que toca a retina fecunda e penetra na alma
Onde o brilho se opõe e se oculta o querer
Farei dos meus lábios sedentos a secura metálica
Onde a saliva submerge calidamente
Para ocultar todo o sabor do teu querer
E quando o meu corpo se metazilar por inteiro
Estará finalmente oculto tudo sentimento
Enclausurado em um coração de metal
Onde não se pode libertar o hospede gentil
Que despertou tantas utopias
Farei de meu ser o ser metalizado
Onde o amor não penetra
E a solidão impera.
Gisláide Sena