quarta-feira, 11 de agosto de 2010

VÍCIO

Não use meu vício para acariciar teu desejo
Pois não espero flores como declaração
Não busque meu cheiro para alimentar tua saliva
Pois o meu gosto é feito de nuvem e não tem um querer
Não aplique em mim sua incoerência
Pois não sou fonte segura para alimentar o medo

Eu não tenho poeta
Eu sou poesia inacabada
Me releio em teu livro
Que outrora se mostrou aberto
Mas se fundiu em teu ego

O meu vício tem gênero masculino imperativo
E se desfaz em poesia da meia noite
Com o desnome você
Que des-entende o que sou
E compreende que és

Já o meu cheiro se espalha nas páginas da imaginação
Vai buscar outra história
Outro poeta e outra virtude
Só não encontra outro querer
Pois ainda é vício em você
Gisláide Sena

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